Doenças no Quadril: entenda as causas, sintomas e tratamentos

A articulação do quadril é formada pela junção da cabeça femoral com a bacia e está sujeita a uma série de distúrbios e, consequentemente, dores. Algumas delas necessitam até de cirurgia no quadril.

Podemos dizer que as doenças mais comuns no quadril são: a Osteoartrose, a Osteonecrose, a Síndrome de Impacto Femoroacetabular e várias outras patologias, como as Bursites e Tendinites.

Quer saber mais sobre as causas e tratamentos das doenças no quadril? Então continue a leitura desse texto.

Principais doenças do quadril

Abaixo listei as doenças mais comuns que podem acometer o quadril e que necessitam da interferência de um ortopedista especialista na área.

Artrose

A artrose do quadril, também conhecido como desgaste, nada mais é do que a lesão avançada da cartilagem do quadril associada com alterações ósseas, o que resulta em dor, limitação das atividades diárias e limitação do movimento. Essa doença atinge aproximadamente 5% da população mundial.

Na maioria dos casos, a artrose do quadril é causada por uma série de fatores que nem sempre são claros. O histórico familiar é importante, havendo um papel genético significativo no seu aparecimento, especialmente se precoce. 

Algumas vezes, o início do desgaste pode estar relacionado com alterações mecânicas (sequela de fraturas, impacto femoroacetabular, malformações congênitas – displasia do desenvolvimento do quadril ou luxação congênita do quadril), com doenças inflamatórias (artrite reumatóide, espondilite anquilosante e lúpus) ou com doenças metabólicas (hipotireoidismo e síndrome metabólica).

Um dos primeiros sintomas da artrose é a dor localizada na região anterior do quadril (inguinal ou virilha), mas também pode ocorrer no lado ou posterior (glútea). Ela tende a piorar com a atividade física (caminhada e subir escadas), mas pode ocorrer a noite em repouso. 

No início da doença a dor é facilmente controlada com repouso ou analgésicos leves. Porém, com a evolução da artrose o paciente começa a perceber a diminuição do movimento. Torna-se difícil cruzar a perna, colocar o calçado ou a meia, cortar as unhas dos pés ou se agachar. Também pode iniciar a claudicação (mancar).

Na artrose do quadril, como na maioria dos problemas ortopédicos, o tratamento é direcionado aos sintomas e não à doença propriamente dita. Ele pode ser:

  • Não cirúrgico: os analgésicos e anti-inflamatórios são úteis no tratamento da dor. Contudo,  anti-inflamatórios utilizados de maneira contínua ou por longo tempo aumentam o risco de morte e arritmia cardíaca, podem levar à insuficiência renal e sangramentos digestivos. Assim, devem ser usados criteriosamente. A fisioterapia pode levar à uma melhora funcional e ao alívio da dor nos quadros leves e moderados de artrose. Alguns casos podem necessitar injeções intra-articulares para o alívio sintomático.
  • Cirúrgico: com a progressão dos sintomas e a piora funcional, o tratamento cirúrgico passa ocupar posição central no tratamento da artrose do quadril. Os casos mais leves podem ser tratados com osteotomias (cirurgias que modificam o alinhamento dos ossos). A artroplastia do quadril é o tratamento final e mais efetivo para o desgaste avançado do quadril. 

Necrose da cabeça femoral

A cabeça femoral recebe vasos sanguíneos responsáveis pela sua nutrição. Esses pequenos vasos podem ser rompidos, nos casos de trauma e fratura do colo do fêmur, ou ocluídos por coágulos ou êmbolos de gordura. O resultado final dessas situações é o infarto da cabeça femoral e a morte das células ósseas.

Existem algumas técnicas utilizadas para tentar evitar o colapso da cabeça femoral, no entanto, a maioria delas não tem um percentual muito alto de bons resultados.

Uma alternativa de tratamento é o que chamamos de foragem, procedimento que faz perfurações ósseas na região do infarto com o objetivo de estimular a revascularização e diminuir da dor. Durante esse procedimento pode ser enxertado osso no local da necrose. 

Entretanto, a foragem não muda a história natural da doença apesar de trazer alívio aos sintomas. Ou seja, quando já ocorreu o colapso e a articulação tiver sinais de artrose, pode ser necessária a artroplastia total do quadril.

Impacto femoro acetabular ou Lesão de Labrum

O impacto femoroacetabular, também chamado de Lesão de Labrum, é uma doença no quadril na qual há uma ou mais alterações na forma do quadril, que podem ser do tipo CAME, PINCER ou uma combinação deles (tipo misto). 

Essas alterações ósseas podem provocar um contato anormal entre o colo femoral, o rebordo acetabular e lábio acetabular, causando danos à cartilagem articular.

O principal sintoma dessa doença é a dor na região anterior do quadril relacionada com movimentos específicos ou com a atividade física.

Uma vez diagnosticada a síndrome do impacto, o ortopedista pode indicar o tratamento não cirúrgico (analgesia, fisioterapia, mudança no estilo de vida ou exercício) ou o tratamento cirúrgico, com a artroscopia do quadril.

Tendinites dos glúteos ou bursite trocantérica

A principal causa de dor na região do quadril é a tendinite dos glúteos. Nesse caso ocorre a inflamação do tendão do músculo glúteo médio e/ou mínimo, associada ou não com diversos graus de ruptura.

Os principais sintomas são a dor na face lateral do quadril que piora ao levantar-se da cadeira ou da cama. Também pode haver desconforto ao caminhar e para deitar ou dormir de lado sobre o quadril doente.

O tratamento pode variar de acordo com o grau. Os quadros mais leves são tratados com anti-inflamatórios via oral, gelo e fisioterapia. Porém, quando não há resposta adequada e os sintomas persistem, podem ser realizadas injeções próximas ao tecido inflamado com diversos tipos de medicações.

Displasia do quadril

A articulação do quadril começa a ser formada cedo no período embrionário e é sujeita a uma séria de malformações. A mais comum é chamada de displasia do quadril

Quando isso acontece, o acetábulo apresenta formação inadequada, existindo um aumento do estresse sobre a cartilagem e lábio acetabular, podendo causar ruptura do lábio, lesões da cartilagem e fadiga/tendinopatias dos músculos glúteos.

Os principais sintomas são encurtamento discreto do membro inferior ou dor lateral e na região lombar. 

Quando esses casos são identificados em adultos jovens e a artrose ainda não se estabeleceu, uma alternativa para casos selecionados é a osteotomia periacetabular, que é um tipo de cirurgia que modifica o alinhamento dos ossos da bacia.

Dor glútea profunda ou Síndrome do Piriforme

A síndrome do piriforme é uma doença de um músculo estreito localizado nas nádegas e o principal sintoma é a dor glútea profunda. 

Os pacientes ainda podem relatar formigamento ou dormência nas nádegas e na parte inferior da perna, o que pode piorar depois de se sentar por um longo tempo, subir escadas, caminhar ou correr; e fraqueza da perna.

O tratamento para essa doença inclui compressa de gelo no local, manter-se em repouso e iniciar um programa de reabilitação o mais rápido possível.

Para aliviar a dor, a fisioterapia é indispensável no tratamento da síndrome, com técnicas de relaxamento muscular e liberação miofascial do piriforme.

Neste caso, a cirurgia só é necessária quando o paciente não manifesta melhora com todas as indicações clínicas.

Pubalgia

Pubalgia é o nome dado à dor originada ou relacionada à região púbica. Ela é mais comum em atletas de futebol, mas pode estar presente em corredores ou em praticantes de atividades de impacto. 

Normalmente ela está associada ao desequilíbrio muscular entre os músculos abdominais e os adutores.

A dor estende-se da região púbica pela face interna da coxa, podendo irradiar-se também a virilha. Ela costuma piorar após as atividades físicas.

O tratamento da pubalgia baseia-se inicialmente em repouso, abstenção de atividades de impacto e principalmente em um programa fisioterápico para buscar o reequilíbrio muscular.

Dificilmente necessita de tratamento cirúrgico, porém em casos graves ou que não respondem adequadamente ao tratamento fisioterápico e medicamentoso podem ser submetidos a cirurgia para descompressão local, desbridamento (limpeza) ou até mesmo fixação da sínfise púbica. 

Artigo escrito por Dr. Daniel Daniachi

Médico ortopedista especialista em quadril

CRM 117036

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